Broche

Um blog que é uma autêntica jóia

sábado, dezembro 18, 2004

Baby-Blogs - O Lobby (parte 5) Conclusão

Ontem, depois de uma breve explicação do que era um baby-blog e as suas variantes, fiquei na parte que ía dar a minha opinião.
Então é assim: como sabem a minha relação com o Cajó não é, pelo menos nos tempos mais próximos, propícia a filhos. Logo, será pouco provável verem aqui a vossa amiga assinar um blog do género "Amar para procriar" ou "O nosso rebento" nos próximos tempos.
Não critico quem tenha estes blogs, gosto até muito de os ler, até porque gosto de andar informada e é sempre bom saber o que nos espera mais tarde. Mas o que me deixa preocupada é se eu serei normal. Eu explico, é que no entender destas mães auto-intituladas de "iluminadas" só quem é mãe é que sabe o que é bom. Só quem é mãe é que tem a verdadeira felicidade. Só quem é mãe é que se sente realizada. Só quem é mãe é que sabe o que é o verdadeiro amor. Só quem é mãe é que é mulher de verdade. Ora, isto é deveras preocupante. Então e as outras que não podem ou não querem ser mães? São o quê? Sombras? Restos? Sobras? Refugo? Vamos apedrejá-las? Não pode uma mulher simplesmente optar por não ser mãe? E as que não podem sê-lo? Por motivos de saúde ou por motivos económicos, etc... Eu sou ums verdadeira mulher. Não tenho filhos, por enquanto, mas sou. Ainda ontem quando saí daqui da firma para ir almoçar ao Shopping do outro lado da rua, uns senhores que trabalham numas obras de canalização e saneamento da estrada principal disseram alto e em bom som: "Isto sim é que é uma mulher!", ora, são gente rude e humilde, sim senhor, mas têm a sua opinião, que é tão válida como outra qualquer.
A pobre da Madre Teresa de Calcutá foi uma excelente mulher, e no entanto não teve filhos, por exemplo.
Eu recuso-me a a aceitar isso. Posso ser distraída, mas sou uma mulher tão feliz e abençoada como qualquer das mães que se vangloria da sua condição. Acredito que o amor de mãe seja especial e incondicional. Ainda no outro dia, de tão intrigada que estava, perguntei à Marjesus (a tal que anda amantizada com o Sr. Rodrigues) que era a "mãe" que estava mais ali à mão: "Oh Marjesus, diz-me, tu que és mãe quando a tua Carina nasceu, sentiste alguma diferença em ti como mulher?" Ao que ela respondeu: "Oh mulher, sabes lá, grandes diferenças! A primeira foram logo mais 5 kg em cada coxa que não há maneira de desaparecerem, estrias na barriga, pano no buço e tirando isso, não estou assim a ver mais nada."
E eu insisti: "Não são mudanças físicas, são a outro nível, psicológicamente, interiormente...sentiste uma mulher diferente, melhor daquela que eras quando não tinhas filhos?"
E ela respondeu assim: "Senti que agora teria que ter outra responsabilidade e não pensar só em mim. Que havia um ser que dependia de mim para tudo e pelo qual zelaria e faria tudo ao meu alcance para proteger, educar e amar, e pela qual estria disposta a dar a minha vida, mas não me senti nem melhor nem pior...apenas diferente." Eis uma resposta que me surpreendeu, vinda de quem foi.
A Marjesus disse tudo. Uma mãe fica diferente, mas não é melhor nem pior que as outras.
Mas eu também amo de forma incondicional outras pessoas, pais, irmãos...e daria a minha vida por eles.
Quanto à realização como mulher, quer seja profissionalmente ou quer seja pessoalmente, espero nunca o ser. Aí não valia mais a pena cá andar. Quero ir conquistando essa realização até ao último dia de vida e ter o gosto de cada dia ser uma nova conquista, um novo ensinamento.
Por isso prefiro por enquanto ser só leitora de baby-blogs, sempre se aprende e nunca se sabe quando é que o Cajó decide pedir-me em casamento, que isto de ajuntamento não é vida. Para ter uma criança temos que ter os papelinhos todos passados e em dia. Senão ainda me acontece como a Carminda da contabilidade, que o namorado pirou-se na última semana de gravidez e nem o nome deu ao filho!
Beijinhos e abraços da vossa,

Collette

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